Por Henrique Souza de Santana - 06 de abril de 2026
Aripuanã sediou, no dia 27/04/2026, o III Seminário das Águas do Aripuanã, reunindo representantes do poder público, setor produtivo, instituições técnicas e sociedade civil em um espaço estratégico de diálogo sobre a gestão sustentável dos recursos hídricos da região.
Realizado no plenário da Câmara Municipal, o encontro integrou a programação e o encerramento do IV Circuito das Águas e teve como foco o avanço no processo de criação e consolidação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Aripuanã (CBHA-MT), instrumento fundamental para a gestão participativa das águas.
Ao longo da programação, foram debatidos e compartilhados, experiências, desafios e oportunidades relacionados à gestão hídrica no território, com destaque para a necessidade de integração entre municípios, usuários de água e instituições, considerando a relevância da bacia hidrográfica para manutenção de diversas atividades econômicas, produtivas e culturais.
Os seminários vêm desempenhando papel estratégico na mobilização dos atores locais e no avanço da proposta de criação do Comitê da Bacia Hidrográfica Aripuanã–Roosevelt, estruturado em consonância com as diretrizes da Política Nacional e Estadual de Recursos Hídricos. A bacia do rio Aripuanã compreende as Unidades de Planejamento e Gerenciamento A-1 (rio Roosevelt) e A-2 (rio Aripuanã), conforme delimitação das UPGs apresentada em mapa, abrangendo total ou parcialmente os municípios de Aripuanã, Colniza, Juína, Rondolândia, Juruena, Castanheira e Cotriguaçu.
Durante o seminário, o diretor executivo da Jurupará Socioambiental e presidente da Comissão Pró-Comitê, Emerson de Oliveira Jesus, ressaltou que o encontro configura um marco no processo de amadurecimento e consolidação das discussões conduzidas pela Comissão.
“O seminário vem com a estratégia de consolidar as discussões já realizadas pela comissão pró-comitê da bacia hidrográfica do Rio Aripuanã. A ideia é fortalecer esse processo e avançar na constituição do comitê, envolvendo todos os segmentos que fazem parte desse território”, afirmou.
Segundo ele, o comitê deve ser entendido como um espaço democrático de construção coletiva.
“Muitas vezes existe a percepção de que a criação de um comitê pode ser um entrave ao desenvolvimento, mas é justamente o contrário. O comitê é um espaço de participação que envolve povos indígenas, comunidades tradicionais, setor produtivo, população urbana e governos”, destacou.
O seminário também evidenciou desafios concretos enfrentados nos municípios da região. Representando o município de Castanheira, o biólogo Audionei José Gabriel Schempe destacou a ocupação irregular de áreas sensíveis como um dos principais problemas.
“Hoje, um dos maiores desafios é a ocupação de áreas de preservação permanente, inclusive em regiões de nascentes. Em muitos casos, são ocupações antigas, o que torna o processo ainda mais complexo. Por isso, temos trabalhado com orientação e conscientização, buscando ampliar a percepção da população sobre a importância da água”, explicou.
Ele também destacou avanços no meio rural, onde produtores têm demonstrado maior compreensão sobre o valor dos recursos hídricos, especialmente diante de situações de escassez.
Contribuindo com a perspectiva técnica, o representante do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) em Juína, Jozemir, ressaltou o papel do comitê na organização da gestão hídrica regional.
“A criação do comitê permite avançar para uma lógica de autogovernança, em que a responsabilidade pelo uso e pela preservação da água passa a ser compartilhada entre todos os usuários. Além disso, é um instrumento importante para captação e gestão de recursos voltados à conservação do solo e da água”, afirmou.
Já na esfera estadual, a analista de meio ambiente da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT), Tania Rosa, destacou que a criação dos comitês de bacia é um processo que nasce da própria sociedade.
“Os comitês não são criados pelo Estado, eles surgem a partir da mobilização da sociedade local. O papel da SEMA é fomentar, apoiar e orientar esse processo. O comitê é um dos principais instrumentos do sistema de gestão de recursos hídricos é fundamental para garantir uma gestão participativa e descentralizada”, explicou.
A representante também detalhou os próximos passos para a consolidação do comitê, que incluem a formalização documental, análise técnica e posterior institucionalização por meio de resolução.
“Após a organização da documentação e aprovação nas instâncias técnicas, será possível avançar para a publicação do edital de composição e, posteriormente, a posse dos membros que irão integrar o comitê”, destacou.
A coordenadora de Gestão Social da Nexa em Aripuanã, Thalita Lucena, reforçou a importância do seminário como espaço de construção conjunta.
“Foi inspirador participar do III Seminário das Águas do Aripuanã. Ver o plenário reunindo lideranças locais e regionais, além de parceiros estratégicos, discutindo o futuro do Comitê da Bacia reforça como iniciativas como essa conseguem unir comunidade, poder público e setor produtivo em torno de um objetivo comum: proteger uma bacia que é vital para todos nós”, afirmou.
O seminário também evidenciou o papel da educação ambiental e da mobilização social como pilares fundamentais para o fortalecimento da governança hídrica.
Mais do que um evento pontual, o III Seminário das Águas consolida um processo contínuo de articulação regional, reafirmando a importância da criação de instâncias colegiadas que garantam uma gestão integrada, participativa e sustentável dos recursos hídricos.
O encontro marcou o encerramento da programação do IV Circuito das Águas do Aripuanã, reforçando o compromisso coletivo com a preservação ambiental e com a construção de soluções sustentáveis para o futuro da bacia.













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