Do local ao global: como Aripuanã integra a Política Nacional de Turismo e a Agenda 2030

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Em agosto de 2025, o município de Aripuanã, no norte de Mato Grosso, viveu um momento histórico ao aprovar a sua Política Municipal de Turismo (Lei nº 2.862/2025). Mais do que um avanço legislativo, a medida insere a cidade no cenário das políticas públicas brasileiras, conectando-a à Política Nacional de Turismo (Lei nº 11.771/2008) e aos compromissos internacionais da Agenda 2030 da ONU.

Os números reforçam a relevância do setor: de acordo com o IBGE, o turismo já responde por aproximadamente 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, com grande potencial de expansão. A Organização Mundial do Turismo (OMT/ONU) acrescenta que o turismo de base comunitária é uma das modalidades mais eficazes de gerar renda de forma inclusiva, ao mesmo tempo em que preserva o patrimônio natural e cultural.

Nesse contexto, a aprovação da política em Aripuanã ganha ainda mais significado. Em plena Amazônia, o município é privilegiado por sua diversidade natural e cultural: rios caudalosos, floresta preservada, cachoeiras monumentais e a presença de povos indígenas e comunidades tradicionais. Essa riqueza, antes vivida de maneira dispersa, ganha agora planejamento e governança, transformando-se em base para um projeto de desenvolvimento sustentável e integrado.

Um município com história e potencial

O passado de Aripuanã mostra sua relevância para o futuro da Amazônia. No Congresso Nacional, já se discutiu a criação de um Estado do Aripuanã, tendo a cidade como capital. Na década de 1970, o município recebeu a ousada experiência da Cidade Científica de Humboldt, inspirada na Conferência de Estocolmo (1972), que buscava pensar modelos de desenvolvimento sustentável para a floresta.

Esse acúmulo político, social e ambiental ajuda a compreender por que Aripuanã se projeta hoje como protagonista na construção de soluções e alternativas econômicas que conciliam crescimento econômico, valorização cultural e preservação ambiental.

Uma política construída de forma participativa

A nova Política Municipal de Turismo de Aripuanã não nasceu em gabinetes, mas foi resultado de um processo democrático e coletivo. Sua elaboração contou com a atuação do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), a mobilização do trade turístico local, a participação ativa da sociedade civil e o apoio técnico da Jurupará Socioambiental. A consultoria foi responsável pela execução do Programa Desfrute Aripuanã, desenvolvido no município como parte das ações socioambientais da Mineradora NEXA RECURSOS MINERAIS, cujo objetivo é fortalecer a governança, identificar e qualificar atividades turísticas e, assim, contribuir para a geração de emprego e renda em Aripuanã.

Durante a sessão de aprovação, o vereador Bartolomeu Sousa Casteliano, que acompanhou de perto a construção da minuta e se destaca como um dos grandes entusiastas do turismo no município, ressaltou: “Esta não é uma lei de gabinete. Ela nasceu das demandas e dos sonhos de quem vive o turismo de Aripuanã na prática. É um projeto coletivo para o nosso futuro.”

Os pilares do novo turismo de Aripuanã

A Política Municipal de Turismo de Aripuanã foi concebida a partir de princípios sólidos que se conectam diretamente às recomendações internacionais da ONU e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Entre eles, destacam-se o ODS 8, que busca promover o trabalho decente e o crescimento econômico; o ODS 11, que orienta a construção de cidades e comunidades mais sustentáveis; o ODS 12, voltado para o consumo e a produção responsáveis; e o ODS 15, que enfatiza a importância da preservação da vida terrestre.

Esses compromissos globais foram traduzidos em diretrizes locais que servirão de norte para o ordenamento do turismo no município. A primeira delas é a governança fortalecida, que prevê maior participação da sociedade por meio do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR). Essa instância passa a ser espaço central para decisões coletivas, garantindo transparência e representatividade no planejamento do setor.

Outro avanço fundamental é a criação do Fundo Municipal de Turismo (FUMTUR), mecanismo financeiro que assegura recursos específicos para a execução de projetos turísticos. O fundo, com gestão participativa, permitirá que os investimentos sejam direcionados de forma planejada, evitando a descontinuidade das políticas públicas e garantindo maior segurança para os empreendedores locais.

A lei também institui o Plano Diretor de Turismo, documento estratégico que estabelecerá metas de médio e longo prazo. Esse instrumento dará previsibilidade aos investimentos e orientará ações do poder público e da iniciativa privada, criando um ambiente mais seguro para quem deseja empreender no setor.

Outro pilar essencial é o fomento à identidade local, valorizando o turismo comunitário, indígena, cultural e ecológico. Essa diretriz reconhece que Aripuanã possui patrimônio imaterial e sociocultural singular, e que o fortalecimento dessas identidades é parte fundamental do diferencial competitivo do destino turístico.

Por fim, a política prevê ações voltadas à capacitação e ao empreendedorismo, com foco na qualificação da mão de obra local e no incentivo à criação de negócios sustentáveis. Essa medida busca preparar a população para ocupar espaços estratégicos na cadeia do turismo, promovendo inclusão social e geração de renda.

A contribuição da Jurupará Socioambiental

A história da Política Municipal de Turismo de Aripuanã também é a história das pessoas que acreditaram no potencial transformador do turismo para a região. Nesse processo, a Jurupará Socioambiental esteve presente como parceira e apoiadora, colocando à disposição não apenas conhecimento técnico, mas também a sensibilidade adquirida ao longo de anos de caminhada junto a comunidades indígenas, agricultores familiares e populações tradicionais da Amazônia.

Mais do que elaborar documentos ou propor metodologias, a Jurupará ajudou a ouvir, a traduzir sonhos em diretrizes e a transformar a voz da comunidade em política pública. Sua contribuição esteve no cuidado com os detalhes, no respeito à diversidade cultural e no compromisso de que cada passo fosse dado de forma coletiva e participativa.

Especializada em sustentabilidade e ecoeficiência, a empresa carrega em sua essência a missão de construir pontes entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Essa missão se revelou de forma clara em Aripuanã, onde a política não foi pensada apenas como um instrumento legal, mas como uma oportunidade de afirmar a identidade local e abrir caminhos para um futuro mais justo e sustentável.

“Nosso compromisso sempre foi construir pontes entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Participar desse processo em Aripuanã é motivo de orgulho, pois reforça nossa missão de apoiar políticas públicas que respeitam a natureza e as pessoas”, afirma Emerson de Oliveira Jesus, Diretor Administrativo da Jurupará Socioambiental.

A experiência em Aripuanã reafirma o que a Jurupará acredita desde sua fundação: a Amazônia precisa de soluções feitas a partir dela mesma, que valorizem suas comunidades e respeitem sua natureza. Foi com esse olhar, técnico e humano ao mesmo tempo, que a empresa contribuiu para a construção de uma política que agora se torna referência para toda a região.

Impactos para o futuro de Aripuanã

A aprovação da Política Municipal de Turismo abre um horizonte promissor para Aripuanã. Com a lei em vigor, o município tem condições de se consolidar como um dos principais destinos de turismo sustentável da Amazônia, atraindo visitantes que buscam experiências autênticas, respeitosas e profundamente conectadas à natureza.

Os impactos vão além do aspecto econômico. A expectativa é que o turismo se torne também um espaço de fortalecimento da identidade cultural, de valorização das comunidades locais e de criação de novas oportunidades de emprego e renda. Essa transformação não acontece apenas no mercado, mas no modo como o município se reconhece e se projeta para o mundo: uma cidade amazônica que respeita suas raízes e, ao mesmo tempo, dialoga com agendas globais.

Nesse sentido, a aprovação da política tem um valor simbólico especial. Em 2025, o Brasil sediará a COP30, em Belém do Pará, e exemplos como o de Aripuanã demonstram que os municípios amazônicos não estão apenas acompanhando a pauta da sustentabilidade — estão assumindo protagonismo, mostrando que o desenvolvimento local pode caminhar junto com a conservação ambiental e a inclusão social.

Desafios e próximos passos

Apesar dos avanços, a jornada está apenas começando. O grande desafio agora é a implementação efetiva da lei. Para isso, será necessário colocar em prática instrumentos como o Plano Municipal de Turismo e o Fundo Municipal de Turismo (FUMTUR), que garantirão organização, recursos e continuidade às ações planejadas.

Esse processo dependerá da capacidade de articulação entre Prefeitura, COMTUR, sociedade civil, comunidades locais e investidores privados, em um esforço conjunto que una vontade política, participação popular e inovação.

Como ressalta Emerson de Oliveira Jesus, Diretor Executivo da Jurupará Socioambiental: “A aprovação é apenas o início. O verdadeiro desafio é transformar esse marco legal em práticas reais que beneficiem a população e preservem nosso patrimônio natural.”

Conclusão

Mais do que uma lei, a Política Municipal de Turismo de Aripuanã é um compromisso coletivo com o futuro. Um futuro em que desenvolvimento econômico, preservação ambiental e valorização cultural caminham lado a lado, mostrando que é possível pensar a Amazônia a partir de soluções sustentáveis construídas por e para quem vive nela.

Aripuanã, assim, dá um passo firme para se consolidar como referência de turismo sustentável na Amazônia, inspirando outros municípios brasileiros a seguirem o mesmo caminho. Ao transformar sua riqueza natural e cultural em políticas públicas participativas, a cidade reafirma sua vocação de ser exemplo de que o local pode, sim, dialogar com o global e liderar pela sustentabilidade.

“Quando a comunidade constrói junto, o turismo deixa de ser apenas visita — e passa a ser transformação.”

 

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